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Postado por Inara Chagas
16/10/2020

HISTÓRIA DA CAPTAÇÃO DE RECURSOS

Foto: Pexels
Você aí, que trabalha no terceiro setor, conhece a história da captação de recursos?

Com suas origens nos Estados Unidos, a captação de recursos (que lá é chamada de fundraising) por lá surge com base no espírito de trabalho comunitário e cultura de retribuição, agradecimento. Isso diz muito sobre os nossos objetivos enquanto captadores, não?

Mas, e no Brasil? Será que essa prática se desenvolveu da mesma maneira? A resposta você confere ao longo do texto!

Se preferir, veja este conteúdo em formato de vídeo:

Captação de recursos nos Estados Unidos
(e em alguns países anglo-saxões)

No começo da história dos Estados Unidos, famílias europeias (ingleses, espanhóis, franceses) se deslocaram para as terras estadunidenses com o objetivo principal de colonização. Até então, aquelas terras eram habitadas por povos originários da região.

Com os objetivos de se socializarem e se estabelecerem naquelas terras, as famílias europeias foram criando casas próximas umas das outras, fazendo com que surgissem alguns povoados naquelas terras. Entretanto, instituições como escolas e hospitais ainda não existiam (ao menos no modelo europeu). E não havia como solicitar nada ao governo simplesmente porque não existia nenhum tipo de governança (novamente, nenhum tipo segundo o modelo europeu).

Sabe o que eles fizeram para resolver esse problema?

Simples: eles mesmos construíram seus próprios hospitais e escolas. Eles plantavam e colhiam verduras, mas também plantavam e colhiam escolas. Essas pessoas desenvolviam esses ambientes, ou seja, elas fundraising (que significa florescer, nascer, desenvolver recursos).

Lembrando que algo fundamental para o desenvolvimento desses recursos foram as características daquele povoado. E por quê?

Em países anglo-saxões temos a religião protestante como a principal. Dessa forma, é natural para essas populações valorizarem o dinheiro e o crescimento, tanto que, nesses lugares, os cidadãos com mais poder aquisitivo são os que mais doam e contribuem com causas sociais, isso porque eles veem essas ações como uma forma de retribuir a sociedade o que conquistaram.

Captação de recursos no Brasil

Já no caso do Brasil, foram os portugueses que vieram para as terras brasileiras, mas com o objetivo de exploração das riquezas naturais da terra. Em vez de já no início trazerem as suas famílias para criarem colônias e povoados (como o caso dos europeus) os europeus faziam fortuna de forma rápida e, nesse meio tempo, abusavam de mulheres negras e indígenas.

Veja que, como não houve a intenção inicial de habitação, esse não foi o ponto de partida da captação de recursos no Brasil. Então, por onde começamos?

Com as freiras, nas Santas Casas. Elas construíram hospitais com as próprias mãos, utilizando as esmolas como recursos.

As freiras pediam dinheiro para latifundiários, famílias e quem mais pudesse e quisesse contribuir com a causa. Lembrando que em países de maioria católica (como é o caso do Brasil e de alguns países da Europa), a riqueza é vista como algo negativo, como pecado. Os cidadãos com maior concentração de bens são vistos com maus olhos, diferentemente do caso de países de religião protestante. Isso, por sua vez, faz com que os cidadãos com maior poder aquisitivo "escondam" esse lado e, por consequência, não divulgam as causas sociais que necessitam de doações.

Dessa forma, vemos que a captação de recursos no Brasil tem suas raízes na esmola. A forma com que os pedidos de doações eram feitos (e que ainda são feitos por algumas organizações) era falando das dificuldades das freiras, algo como uma autopiedade. Já no caso dos Estados Unidos, a ideia era de cooperação, de doar para o desenvolvimento da sociedade.

O avanço do desmatamento da Floresta Amazônica

Foto: Pexels
Para saber o nosso destino, precisamos conhecer a nossa trajetória. Isso é fato.

Por isso, todos que trabalham com captação de recursos devem conhecer a origem da profissão, afinal, como olhar para o futuro se não compreendemos claramente o passado?

Ao ver que a história da captação de recursos no Brasil tem origem nas esmolas, fica claro o motivo de ainda utilizarmos uma linguagem negativa (pedinte, como se a doação fosse uma esmola mesmo) na hora do pedido de doação.

Não estamos desmerecendo aqui a nossa história, ao contrário. Se a captação de recursos foi estruturada dessa forma foi porque eram aquelas as ferramentas disponíveis no momento.

Mas hoje em dia a situação já é bem diferente.

Sabemos que uma linguagem positiva faz toda a diferença para captação de recursos. E agora que entendemos os efeitos dela com o passar dos anos (analisando o caso dos países anglo-saxônicos) fica mais evidente o porquê devemos utilizá-la em nosso trabalho.

E então, gostou da dica de hoje? Caso tenha interesse em mais conteúdos como esse, sugiro que você entre em nosso grupo do Telegram!. Lá publicamos dicas diárias sobre captação de recursos, curiosidades sobre o ramo e muito mais. Se tiver interesse, o convite está feito. Saiba que nunca é tarde para aprender mais sobre o assunto!

Te vejo por lá.

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